Quais os principais efeitos que um dos maiores eventos esportivos do mundo, a Copa, teve no mercado imobiliário brasileiro? Ainda é cedo para dizer, efetivamente, quais serão as mudanças para o futuro. O que está claro até o momento, no entanto, é que o setor se beneficiou das mudanças trazidas pela competição.
Primeiro, o setor imobiliário avança com o aquecimento da economia. Estimativa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) prevê a entrada de 142 bilhões de reais no Brasil por conta da Copa. Logo, os imóveis das 12 cidades sedes - em especial para locação - viram um aumento expressivo na procura por turistas, estrangeiros ou não, procurando casas ou apartamentos para ficar durante a competição.
Além disso, o mercado como um todo avançou com os investimentos feitos em infraestrutura e mobilidade urbana nas cidades diretamente envolvidas com o mundial. Foi bastante comum a valorização dos imóveis em bairros próximos aos aeroportos reformados e, especialmente, às arenas construídas (ou remodeladas).
A Copa em São Paulo
O mercado imobiliário da capital paulista, carro-chefe da economia nacional, também se beneficiou dos investimentos feitos para a Copa do Mundo. Desde o início da construção da Arena São Paulo, palco da aberta dos Jogos, os imóveis em diversos bairros da zona leste registraram forte valorização. A média do metro quadrado no bairro de Itaquera, onde está localizada a nova arena, chegou a 3,6 mil reais, alta de 36% ante 2009.
Para atender a intensa movimentação próxima ao estádio em dias de jogos, a zona leste recebeu investimentos públicos e privados, o que justifica parte da valorização.
Arenas para jogos e para shows
Entre as 12 cidades escolhidas para receber jogos da Copa do Mundo, estão capitais que não possuem times de futebol com grandes torcidas capazes de lotar os estádios. Um das alternativas desenhadas para essas cidades está em transformar as arenas da Copa em palcos para shows. E esse cenário teve efeitos positivos no mercado imobiliário de capitais como Cuiabá, Manaus e Natal.
Segundo o Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Mato Grosso (Creci-MT) e o do Amazonas (Creci-AM), as arenas estão influenciando positivamente os preços de imóveis nas cidades. Além disso, as capitais possuem um déficit habitacional ainda alto, o que colabora, de acordo com as organizações, para manter os preços desse mercado aquecidos.
Brasília é um caso à parte. A capital federal já está consolidada como um dos maiores mercados imobiliários do país. Quem impulsiona, de fato, a economia e a valorização dos imóveis no Distrito Federal é a administração pública. A Copa do Mundo é, portanto, mais um motor que faz o mercado imobiliário crescer.
Aluguel
Proprietários aproveitaram o evento mundial para faturarem com aluguéis. O Rio de Janeiro liderou as ofertas, com 2,7 mil unidades disponíveis para locação, seguido por Salvador (BA), com 507 unidades; Fortaleza (CE), com 365; e Natal (RN). Os preços também foram lá para cima, chegando a se cobrar cinco vezes mais do que em feriados, como Carnaval e Semana Santa.
Para se ter uma ideia, um grupo de europeus desembolsou 130 mil reais para passar o período da Copa numa cobertura da zona sul carioca. É natural que isso é um reflexo direto com o evento mundial e, agora que acabou, os valores devem voltar aos patamares de sempre.
Cadastre-se e receba novos imóveis direto na sua caixa de e-mail