“Venda de imóveis cresce em 2010″
| Em mesa-redonda na Fiabci/Brasil sobre perspectivas das vendas do mercado imobiliário para 2010, o vice-presidente da Brasil Brokers, Júlio César Piña Rodrigues, disse acreditar em significativa expansão. O resumo da palestra.
\”Estamos animados. O mercado se reergueu, e não há bolha. A crise trouxe um elemento fundamental de arrumação dos fatores de produção. Tudo estava muito complicado no final de 2008. Faltava grua, o preço de cimento vinha subindo, os terrenos apresentavam preços exorbitantes, eram vários problemas, mas que agora parecem ajustados. Acho que o mercado imobiliário vai crescer em todos os segmentos em 2010, algo entre 20% e 25%. O crédito imobiliário registrou significativa expansão nos últimos anos, no Brasil, e deve crescer ainda mais. Chegou a cerca de 3,6% em relação ao PIB, em agosto de 2009, números não absolutos, mas que representam notável avanço, ainda que relativamente baixos. Tivemos também os primeiras IPO\’s, que irrigaram o mercado com R$ 15,7 bilhões até o final de 2007, seguidos de novas captações recentes de recursos por parte dos grandes incorporadores, o que vai ajudar na expansão do mercado ao longo dos próximos anos. Também novos recursos estão chegando. Somos procurados por investidores de fora com sede de investir aqui. E foi notável a expansão dos recursos do FGTS liberados pela Caixa Econômica Federal (aumento de 46% até novembro de 2009 contra 2008). Além disso, as condições de financiamento mudaram drasticamente. Os prazos estão mais longos, com financiamentos de até 100% da unidade. São paradigmas que vêm sendo efetivamente quebrados, com ajuda da significativa queda da taxa de juros, que deverá continuar em nível razoável até o final de 2010. A segurança jurídica é outro elemento importante: deu novo alento ao mercado e possibilitou contornar com rapidez os problemas decorrentes da turbulência global. A Fundação Getúlio Vargas divulgou recentemente estudo mostrando uma nova metodologia para cálculo do déficit habitacional, agora por volta de 5 milhões de unidades, quando vínhamos falando em 8 milhões. Sob qualquer hipótese, o déficit é extremamente significativo, e indica o potencial de crescimento desse mercado no futuro, ajudado ainda pelo aumento da mobilidade social que vislumbramos para o País à frente, decorrente do crescimento real da renda das pessoas, e mudança de patamar de consumo e consequentemente de classe social. Temos ainda o Programa \’Minha Casa, Minha Vida\’, empurrão adicional que chegou para nutrir o mercado com investimento previsto de 34 bilhões de reais. As incorporadoras, de uma forma geral, passaram a olhar o segmento econômico com prioridade, o que resultou numa mudança completa de paradigmas. A forma de comercializar, de abordar o cliente, tudo agora é diferente, do ponto de vista da venda. Estamos diante também de novas oportunidades, como a maior rentabilidade do segmento de imóveis comerciais, o que vem mudando a dinâmica da comercialização. Há ainda o mercado de imóveis de terceiros, que não pode ser esquecido. Nos Estados Unidos, representa cerca de 95% do mercado total. Aqui, entre 70% e 75%. Temos de dar atenção especial a novas estratégias para o crescimento do mercado secundário. O domínio do arsenal tecnológico de vendas também nos parece absolutamente fundamental. Gostaria de destacar, por fim, o papel consultivo das imobiliárias, decisivo para ajudar clientes e incorporadores a realizar o produto adequado a um preço adequado, na hora adequada e com estratégia de lançamento adequada. Também estamos vendo a necessidade do desenvolvimento de um novo modelo de capacitação profissional da força de vendas. Vejo com bons olhos, por exemplo, algumas redes imobiliárias estrangeiras chegando ao País. Vão ajudar a profissionalizar e formalizar ainda mais o mercado, criar massa crítica e conscientizar o comprador de que a consultoria imobiliária é essencial na escolha adequada do imóvel, além de garantir segurança jurídica. Isso tudo vai contribuir muito para garantir a expansão das vendas em 2010 e nos anos seguintes.\” |
|
| Publicado por: O Estado de S. Paulo | |
