Sinais positivos
| A Sondagem da Construção Civil, divulgada nesta terça-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e revelando, como revelou, a confiança dos empresários do setor no aumento da atividade nos próximos seis meses, reflete um cenário positivo e delineia perspectivas favoráveis, em área que se caracteriza precisamente pela extensão dos efeitos multiplicadores na economia e por seu potencial de geração de empregos diretos e indiretos.
Trata-se de um novo indicador de expectativas sobre o nível da atividade da construção civil, a ser divulgado a partir de agora de forma regular, juntamente com os referentes aos demais setores industriais. O fato de ter alcançado 70,6 pontos, acima da linha divisória de 50 pontos, afigura-se por isso mesmo elucidativo quanto ao cenário existente e aos resultados esperados, tendo a pesquisa sido realizada entre os dias 4 e 22 de janeiro e abrangido 283 empresas do setor. Segundo o documento divulgado, aliás, \”o otimismo é particularmente elevado entre as grandes empresas (78,8 pontos) e, de um modo geral, o levantamento deixa transparecer o otimismo dos empresários da construção civil com relação a novos empreendimentos e serviços, ao aumento de compras de insumos e matérias-primas e ainda em referência à contratação de trabalhadores nos próximos seis meses. Em dezembro de 2009 houve, ao que se constata, incremento do nível de atividade do setor ante novembro. Por outro lado, na avaliação de José Carlos Martins, vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, \”o programa Minha Casa Minha Vida é o grande vetor disso\” e o plano, referente à construção de moradias para famílias de baixa renda, beneficia as construtoras que atuam na área imobiliária, a qual responde por cerca de um terço do setor da construção civil, formado também pelos que operam em obras públicas. Trata-se, evidentemente, de uma proposta cuja cujo alcance econômico e social se evidencia, na própria medida em que está voltada à redução do déficit habitacional, o qual se concentra especialmente nesse segmento de baixa renda a que o referido programa busca atender. Enquanto isso, para o gerente de pesquisas da CNI, Renato da Fonseca, os números da construção civil, apesar de fortes, não suscitam preocupações inflacionárias, ressaltando ele, a propósito, \”termos que observar mais, isto sim, o crescimento da atividade na comparação com o usual para o mês\”. Ainda que os resultados no último trimestre de 2009 tenham sido expressivos, o principal problema enfrentado nesse período foi a elevada carga tributária, seguido da falta de trabalhadores qualificados. De qualquer modo, no conjunto de tais resultados, sobressai sem dúvida o desempenho da indústria da construção civil, realçando a contribuição econômica e social que oferece e lastreando expectativas que a referida sondagem reflete e guardam correlação, de resto, com os prognósticos quanto ao crescimento da economia brasileira no corrente ano, após o período de turbulências que a afetaram em função da crise financeira internacional. |
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| Publicado por: Jornal do Commercio em: 11/02/2010 | |
