Recursos para casa própria serão insuficientes em três anos, diz Caixa

Os sucessivos recordes do crédito habitacional estão levando a Caixa Econômica Federal a começar a procurar fontes alternativas de financiamento, além dos recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e da poupança. “Temos mais uns três anos para conseguir equacionar essa questão”, disse Jorge Hereda, vice-presidente de Governo do banco, ao anunciar o crescimento de 95% nos empréstimos no primeiro semestre nesta segunda-feira.

Por lei, os bancos são obrigados a destinar 65% dos depósitos em poupança para o crédito habitacional, mas há o temor de que o crescimento da caderneta não acompanhe o dos empréstimos nesse setor.

O montante (R$ 34,1 bilhões) contabilizado nos primeiros seis meses de 2010 já ultrapassou o valor registrado em todo o ano de 2008 (R$ 23,3 bilhões), levando à preocupação com o crescimento sustentável. Até dezembro, a Caixa deve fazer a emissão do primeiro pacote de securitização de sua carteira de crédito, que chegou a R$ 81,7 bilhões em junho.

A estimativa inicial de R$ 500 milhões para o CRI (Certificado de Recebível Imobiliário), “para testar o mercado” neste ano, nas palavras de Hereda, está sendo reavaliada.

De acordo com o executivo, R$ 20 bilhões já estariam prontos para a securitização, sem detalhar quais contratos ocupariam a maior parte da emissão. “Haverá um mix”, disse, referindo-se a empréstimos antigos e novos, com taxas de juros diversificadas, de acordo com a época da assinatura do contrato.

A securitização consiste na transformação de uma dívida em um papel para investimento no mercado de capitais. O investidor é remunerado com uma taxa de retorno que varia de acordo com as características do financiamento, descontados os custos e o ganho do banco.

A instituição financeira, por sua vez, recicla o dinheiro sem ter de esperar até o último pagamento do tomador do empréstimo. O risco de inadimplência, normalmente, fica com o investidor.

TATIANA RESENDE
FOLHA DE SÃO PAULO