Números do crescimento do Brasil são positivos
Resultado se refere à situação anterior à crise de agora, que começou nos Estados Unidos, mexe com as economias no mundo todo, pressiona a inflação e diminui a riqueza.
Crise no mundo, mas a economia brasileira vai bem por enquanto. Está aberta a temporada de apostas. A grande pergunta é: qual o tamanho do crescimento da economia brasileira este ano? Analistas dizem que a construção civil e a agropecuária vão garantir o aumento do PIB, que é a soma de todas as riquezas produzidas no país.
Dois elementos muito importantes dessa equação – o consumo e a renda do trabalhador – seguem em forte alta neste ano e também no próximo, segundo os analistas. Mesmo com a economia mundial desacelerando, no Brasil o PIB ainda vai trazer números robustos. Quem está reformando ou construindo a casa pode até não perceber, mas dá uma grande contribuição para esse resultado.
A cor do azulejo a moça já escolheu. Falta decidir agora o piso da cozinha. “Vou deixar mais bonita para o fim do ano, porque estava muito feia”, comenta.
A família se prepara para a bagunça que será a reforma da casa. A última foi há 20 anos. “As facilidades de pagamento em mais meses estão dando mais condições”, diz.
Em uma loja, dependendo do pedido, o cliente espera até 45 dias pela entrega. O crédito imobiliário cresceu em relação ao ano passado: 92% de janeiro a julho.
Esse bom momento da construção civil se reflete nos números da economia brasileira. Analistas apontam o setor como o carro-chefe do PIB, que deve ser divulgado hoje pelo IBGE.
E não é só o crescimento da habitação. Indústrias estão sendo construídas e também ampliadas. Há economistas que apostam num índice histórico. A maioria dos economistas acredita que o PIB vai mostrar uma alta entre 1% e 1,5%.
“Com o trimestre anterior está em torno de 1,3%, que também é um resultado forte. A projeção do PIB como um todo está em torno de 5,6%, algo em torno do gênero, 5,8%”, calcula o economista Sérgio Vale.
Depois da construção, a agropecuária é um desses motores.
“A gente tem uma Ásia, ainda que a gente fale do mercado, que está demandando grãos e carnes. A gente fornecedor produtos agropecuários por excelência”, explica o economista Amaryllis Romano.
O consumo das famílias também deve continuar aquecido, assim como a renda.
“Os anos de 2008 e 2009 têm um cenário muito tranqüilo para emprego e renda. Talvez, dependendo do que acontecer nos próximos trimestres, eu teria um 2010 um pouco mais complicado para emprego e renda, mas ainda tem um longo prazo de crescimento de massas de renda no país, sem sobra de dúvida”, prevê o economista Amaryllis Romano.
Com tudo isso, dizem os economistas, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que decide hoje os juros básicos, não teria motivo para reduzir o ritmo.
“Devido à preocupação concreta dele com demanda, e essa indicação de demanda que virá nesta quarta-feira promete ser um número bastante forte, eu acredito que o Banco Central não terá escapatória neste sentido. Quer dizer, o 0,75 ponto percentual que ele vai aumentar de juros é mais do que esperado a essa altura”, diz o economista Amaryllis Romano.
Pouca demanda significa economia estagnada, mas demanda muito aquecida deixa o Banco Central arrepiado, porque significa risco de aumento da inflação.
Terça-feira de instabilidade no mercado financeiro mundial
Com o atual estado de nervos, uma notícia negativa já é suficiente para derrubar as Bolsas de todo o planeta. As Bolsas asiáticas fecharam quase todas em queda. As Bolsas européias já abriram também em queda.
O mercado está assustado. E investidor assustado corre para aplicações consideradas estáveis e seguras, como o dólar. Ontem a moeda americana praticamente zerou as perdas deste ano. O efeito-cascata voltou a gerar turbulência no mercado internacional.
“Foi um dia de pânico no mundo todo, não só no Brasil. O quarto banco de grandeza na economia americana teve um boato em relação a sua capacidade financeira, e isso acabou derrubando as suas ações e gerou o efeito-manada no mercado financeiro. Ou seja, as pessoas saíram vendendo ações no mundo todo”, explicou o economista Miguel Daoud.
A Bolsa no Brasil também sofreu a pressão da queda nos preços de commodities. Com a desvalorização do petróleo, do gás natural e dos metais no mercado internacional, as ações da Petrobras e da Vale caíram. As duas empresas têm grande peso na composição do Ibovespa, que fechou em baixa de 4,5%, a segunda maior queda do ano.
Para o economista Luiz Fernando Lopes, os investidores acreditaram demais na valorização das matérias-primas.
“É uma história de investidores que apostaram pesadamente que a alta acelerada de preços de commodities ia se perpetuar por muito tempo. Da mesma maneira que eles entraram de uma maneira agressiva e puxaram os preços muito fortemente, a saída deles igualmente agressiva e, de certo ponto, destrambelhada provoca uma queda de preços desproporcional”, disse o economista Luiz Fernando Lopes.
De maio para cá, as empresas listadas na Bolsa paulista perderam mais de 30% do valor de mercado. O Ibovespa, principal referência para o mercado brasileiro, chegou ao pico de 73.516 pontos em 20 de maio de 2008 depois que o Brasil ganhou grau de investimento de agências de risco internacionais. Daí em diante foi ladeira abaixo. Nesta terça-feira, fechou em 48.435 pontos.
Neste cenário de incertezas, o investidor busca segurança e aposta nas aplicações de renda fixa, títulos do Tesouro americano e, claro, no dólar, que fechou em alta cotado acima de R$ 1,77. A moeda americana praticamente zerou as perdas do ano.
Em apenas sete dias úteis deste mês a Bovespa caiu 13%. Analistas dizem que agora é a hora de comprar ações, já que elas estão com preços bastante convidativos.
Fonte: Bom Dia Brasil
