Crédito bancário cresce e alcança 37% do PIB
Volume do financiamento, em reais, chegou a R$ 1,08 trilhão em julho, contra R$ 1,067 trilhão mês anteriorApesar do aumento das taxas médias de juros, que subiram pelo terceiro mês seguido em julho, o país registrou crescimento de 1,7% na concessão de crédito, que passou de R$ 1,067 trilhão em junho para R$ 1,085 trilhão no mês passado. Com essa expansão, o conjunto das operações de crédito correspondia a 37% do PIB em julho, nível recorde na série histórica. O maior nível anterior havia sido registrado em janeiro de 1995, cuja relação chegou a 36,8%.Para o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, a ampliação dos prazos de pagamento tem permitido que famílias continuem tomando crédito mesmo com a alta dos juros. O prazo mais elástico faz com seja possível adequar a elevação da taxa de juros ao orçamento dos tomadores, disse.Segundo o levantamento do BC, a taxa média do crédito livre passou de 38% em junho para 39,4% em julho. Nas operações voltadas às empresas, a taxa média subiu de 26,6% para 27,5% no período. Nos empréstimos para as famílias, o juro subiu de 49,1% para 51,4%. Entre as várias operações, o juro do cheque especial passou de 159,1% para 162,7% ao ano. Já o capital de giro para empresas passou de 30,4% para 32,1%.Os spreads bancários - diferença entre taxa de captação e empréstimo - também subiram. Na média, essa diferença passou de 24,5 pontos porcentuais para 25,6 pontos. Nas transações para as empresas, o spread subiu de 13,9 pontos para 14,5 pontos. Nos empréstimos para as pessoas físicas, aumento de 34,7 pontos para 36,6 pontos.Diluição - Segundo Lopes, o alongamento das operações de crédito ocorre apenas para pessoas físicas. Na média, o estoque das operações para as famílias teve prazo de 467 dias em julho, contra 466 dias em junho. Para Lopes, o aumento de um dia, no entanto, não representa fielmente o que tem ocorrido no mercado, uma vez que a ampliação do prazo vista nas novas operações acaba sendo diluída. Isso porque o indicador trata do total de todos os empréstimos existentes no mercado. Não há levantamento sobre o prazo das novas concessões.Para Lopes, o prazo só cresce porque a renda familiar dos tomadores continua em expansão. Recentemente, varejistas anunciaram alongamento dos financiamentos para que o efeito do aperto monetário seja menos sentido pelos clientes. Altamir observou, porém, que há limite para essa ampliação. O espaço (para o alongamento dos empréstimos) está se reduzindo, disse.Em 12 meses, o prazo cresceu 59 dias. Nas operações para as empresas, o prazo médio Diminuiu de 303 para 299 dias entre junho e julho. Na média, o período de todas as operações de crédito do mercado caiu um dia, de 374 para 373 entre um mês e outro.Leasing - Nas operações voltadas às pessoas físicas, o crédito continua sendo liderado pelo leasing, principalmente aquele voltado à compra de veículos. Em julho, a expansão foi de 7,8% na comparação com junho, para R$ 49,044 bilhões. Em 12 meses, a carteira do leasing para a pessoa física saltou 141,7%. Formalmente, o leasing é uma operação de arrendamento mercantil. Por essa característica, a operação tem juros menores que o financiamento tradicional (como o crédito direto ao consumidor) porque o bem adquirido permanece no nome da instituição financeira até o final dos pagamentos, o que dá mais segurança ao banco em caso de inadimplência. Além disso, a operação não paga o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).A equipe econômica, no entanto, já admitiu que estuda a possibilidade de iniciar a cobrança do imposto nesse tipo de operação. Outro destaque entre as operações para as famílias ficou com o crédito imobiliário, que cresceu 3,3% entre junho e julho, para R$ 51,151 bilhões. Em 12 meses, a expansão acumula 30,2%.Inadimplência - A taxa de inadimplência voltou a subir em julho. A parcela dos pagamentos com atraso superior a 90 dias subiu de 4% em junho para 4,2% em julho. O aumento da inadimplência ocorreu apenas nas operações para as pessoas físicas, cuja taxa subiu de 7% para 7,3%. Nas transações para as empresas, a inadimplência média ficou em 1,7% das operações, em igual patamar ao registrado em junho.Nas alturas - Dados preliminares de agosto mostram a continuidade da escalada dos juros e o crescimento dos empréstimos. Segundo o BC, o estoque dos empréstimos cresceu 1,8% em agosto em levantamento feito até o dia 13. Nas linhas voltadas às empresas, a expansão foi de 2,1% na comparação com julho e nas operações para as famílias, a elevação foi de 1,4%.Como em julho, os juros continuam subindo. Na média, a taxa cobrada pelos bancos passou de 39,4% em julho para 40% em agosto, o maior patamar desde novembro de 2006. Nas transações para as empresas, a taxa passou de 27,5% para 28,1%. Já nos empréstimos para as pessoas físicas, aumento de 51,4% para 51,9%, o maior desde janeiro de 2007. Entre as linhas desse segmento, o cheque especial passou de 162,7% para 165,4% por ano.Segundo Lopes, o spread médio subiu entre julho e o período preliminar de agosto de 25,6 pontos para 26,5 pontos porcentuais. Na média, o spread nas operações para as pessoas jurídicas aumentou de 14,5 pontos para 15,6 pontos. Já a diferença entre a taxa de captação e empréstimo nas linhas para as famílias cresceu de 36,6 pontos para 37,4 pontos.
Fonte: O Tempo Online - MG - Economia Agência Estado
